Reconciliar
01
Verdade que as brigas
não aquecem o amar,
como incita o dito popular.
Todo conflito é traumático,
perverso e desgastante.
Todavia, como saborear
o quitute do reconciliar,
se a dupla não brigar?
A reconciliação nos leva
à contemporização,
à sensata reavaliação.
É o momento do lamento,
de se auto-penalizar,
de se admitir culpado,
mas jamais de culpar.
È o estágio das juras
de se reformarem
e de novos tratados
a se consumarem.
Enfim, é o evento
de se conscientizarem
e de se confessarem,
que não são nada,
enquanto separados.
É o pico do amor; do tesão,
o suor na face; na mão,
o medo de ser rejeitado;
preterido; esquecido,
por fim, posto de lado.
É mais emocionante que a
primeira vez, quando pedimos
para ficar. É o medo da perda
tão eminente e alucinante,
é adrenalina constante...
Até o ansiado momento,
em que o outro nos diz:
Tá bom, pra mim também,
você é a coisa mais importante,
e ainda, a que mais me faz feliz!
Antônio Poeta



Apagando
Suas Pegadas
02
Estava eu vagando,
quase desanimando,
abdicando de me encantar.
Com medo, muito medo,
de outra vez me enganar,
de voltar... A não acertar.

De repente surge você
de hábitos tão diferentes,
mas aludindo querer mudar.
Aí, eu entrei de cabeça,
não quis nem saber,
o que eu queria era amar.

Eu que sempre fora tão coerente,
centralizado e exigente,
como pude assim me equivocar?
Acho que foi acreditando
que por sermos gente,
logo, podemos nos reparar.

De sonho em sonho
fui tecendo a minha teia de amor,
ansiando que tu tivesses o valor
que meu coração pedia,
mas isso era mais, muito mais
do que você podia.

Oh Céu...
Quanto engodo,
quanta mentirinha.
Quis-te tanto mulher,
que até mesmo cismei,
que já eras minha

De tanto lhe amar,
de tanto em ti
não conseguir confiar,
e mesmo com tamanho
tesão e paixão, opto,
por lhe abandonar.

Estou tirando você de mim...
Estou apagando suas pegadas
e saindo em definitivo de você.
Libertando-me da tormenta,
da alucinante paranóia
de tanto assim, a querer.

Agora está menos sofrível,
me sinto robusto, me repensando,
me estimando e constatando
o quanto foi horrível
a amar tanto assim:
Estou me amando!

Não tens nenhuma culpa,
foi eu que em desequilíbrio
construí toda essa loucura,
esse insólito castelo de ilusões,
onde habitaram somente
as minhas emoções.

Hoje em harmonia,
retomo a minha alegria,
o leme de meu existir.
Sou de novo meu dono...
voltei a ser jubiloso
e até mesmo a sorrir!
Antônio Poeta



Afasto-me
Desse Cálice!
03
A titulo do que
nos mantermos juntos
se derrocou a união,
se nada restou
da antiga comunhão?
Insurjo-me, contra
esse penar, paro de lhe
ferir e de me machucar.
Opto pela coerência,
me apartando
dessa indecência.
Tanto você quanto eu,
merecemos muito mais.
Que se extenue
essa voraz loucura,
voltemos a ter ternura
e resgatemos nossa paz.
Libertar-me-ei
e a libertarei, voarei
e a permitirei voar,
não serei mais um inerte
e sobrestarei assim,
de me auto-enganar.
Será que tanto litígio
e tamanho amargor,
não sepultaram o nosso
amor e aniquilaram
a nossa emoção?
Nada que venha à frente
poderá surgir pior,
que essa atual situação.
Se não sairmos a tempo,
muito em breve
virá a constatação,
de que nem o respeito
se preservou.
Aí, nossa “saída”
estará recrudescida
e inteiramente falida
pelo ruinoso rancor.
Antônio Poeta



Partes De
Um Quase Nada
04
Malvada, me diga agora,
me olhando nos olhos,
que não mais me queres,
que posso ir embora.
Contaram-me, que sofreste,
quase morreste de tanta paixão.
Seu delírio quase nos extermina,
e tudo, por uma tola cisma,
algo que sequer tinhas certeza
e muito menos razão.
Como pudeste agir assim,
tão desnaturadamente?
Usaste do instinto e não do pensar,
foste leviana ao não considerar,
que só fiz nessa vida te amar.
Insanamente, sem me ouvir,
nos aniquilaste emocionalmente,
tripudiando sobre tanta paixão...
Perdão, não é o momento
para brigar, acusar, e sim,
para implorar, que me ouça
com todo o seu sentimento
e que me permita voltar.
Que reconsidere tudo
e reconheça, que sós,
em trilhas separadas,
não somos nem metade,
somos somente partes,
partes de um quase nada,
partes que novamente,
urgem serem juntadas!
Antônio Poeta



A Nossa Praça!
05
Os pássaros revoam
as árvores da praça.
Seus sonoros cânticos
ecoam com graça.
E eu, tolo romântico,
me vejo um cínico
em completa farsa,
sorrindo aos outros
e a todos saudando,
quando minha alma,
mutilada e desarmônica
está convulsa e chorando.
Aqui brincamos, crescemos,
pela primeira vez nos beijamos,
fizemos nossas juras de amor.
Tudo... Sempre nessa praça.
Agora surge um outro e você
vem me dizer, que tudo acabou.
Como acabou, se eu estou aqui,
você aí... E a praça também???
E apesar de tudo, você ainda
é o meu amor e meu maior bem.
Conta para mim, eu preciso saber...
Onde eu falhei, qual o mal que te fiz,
ou qual o bem, que deixei de te fazer?
Se for possível, te imploro,
poupe a minha desgraça
e jamais venha com ele
aqui, na nossa praça!
Antônio Poeta



Apenas Amigos...
Nada Mais
06
Não... Definitiva e tenazmente, não!
Nunca mais te quero como amor,
vou ser apenas seu melhor amigo,
seu fiel escudeiro, seu protetor.
Meus beijos serão em sua face
e receberás só meu colo espiritual.
Contato físico e sexo, jamais,
nosso apego será transcendental.

Por favor, não insista, nem tente,
não contemplo mais lhe ter,
não admito mais tanta vilania,
incertezas, por fim, sofrer.
Nosso tempo de amantes
se exauriu, já se expirou,
e não podes sequer reclamar,
pois foi tu quem o renegou.

Concedi-te quase minha alma,
mas tu, em seu contra-senso
sempre a desprezou, a ignorou.
Tripudiastes sobre o meu amor.
Parecias ter total certeza
de que eu nunca reagiria.
Criatura tola e prepotente,
te afirmo: Você se enganou!

Mas não deixei de te amar,
só separei os sentimentos,
ainda quero contigo partilhar
alacridade, felicidade, sucesso
e outros bons acontecimentos,
isto é, se tu também, assim o quiser.
Só não me vejo mais como seu homem,
e não penso em ti como minha mulher!

Antônio Poeta



Feliz Agora?
07
Tanto te avisei,
tanto te preveni,
mas tanto também,
tu te sentias absoluta
e nunca quis me ouvir.
Nada é eterno, nem mesmo
o amor que eu nutria por ti.

Hoje, após tanta decepção,
tanta insinceridade e leviandade,
já não me imputas qualquer emoção.
Vendo-te, aí perdida, agoniada, sofrendo,
sem rumo, me sinto por dentro morrendo,
mas decerto, sei que não é mais amor,
é só um misto de atenção e piedade.

Agora se anime, se reorganize,
ainda, há muito a se provir
e mesmo só, não esmoreça,
pois que, tu tens que seguir.
Lembre-te de todos conselhos
celebrados por esse seu poeta
... Que doravante, fica por aqui.

Quero notícias tuas,
as melhores que tiver,
quero já me orgulhar
de sua volta por cima,
quero te ver feliz e feliz dizer
a todos que puderem me ouvir:
Um dia, amei muito essa mulher!
Antônio Poeta



Indefinição
08
O porque desse impasse?
Se já não me queres,
se não me amas, me diga.
A alvo do que me enganas?
Liberte-me dos seus grilhões,
estou à beira do cadafalso.
Não comporto mais, hora
te perceber tão ardente,
noutra tão indiferente.
Seja franca, humana,
se abra, seja gente.
A idéia que tenho é que
sempre estás a esperar,
uma melhor opção que eu,
destarte, pronta a me deixar.
Pecas copiosamente ao insistir
e não divisar, que com o emocional
alheio não se brinca, uma vez, que
o coração é terra onde ninguém pisa.
Quem sabe um dia, agindo assim,
poderás encontrar outro alguém,
diferente de mim e que como tu,
não se importe por tudo derruir.
Já que tu não se decide
a pôr as cartas na mesa,
a atitude digna de esclarecer,
saio fora sem nenhum revide,
apenas atendendo a intuição
de meu instinto de preservação,
que apela a minha sensatez,
uma pronta decisão, em defesa
da minha própria constituição,
pois doeu tudo que tinha a doer.
Estou indo, tenha certeza,
com o coração pequenino...
Mas ainda, apinhado de emoção!
Antônio Poeta



Detalhes
09
Imaginar você nos braços de um outro
me faz colérico, quase louco.
Sinto-me o mais tolo dos tolos,
o maior de todos os imbecis.
Meu Deus, quanto sinto,
me sentir assim.
Por vezes rancoroso,
te odeio, como se só tu
fosse culpada pelo fim.

A ti não faltarão belos homens,
e a mim, lindas mulheres.
Mas como nos portaremos
com outro corpo, outro cheiro,
com outra voz, outra pele,
outros lábios, outros olhos?
Será que nos acostumaremos?
Será que nos abrangeremos?
Será que nos regozijaremos?

Não sei, não sei de mais nada.
De outro modo, sei sim:
Sei que te amo bem mais
do quanto amo a mim.
Sei que queria acordar e ver
que tudo foi só um sonho,
um pesadelo muito ruim:
“Detalhes tão pequenos de nós dois,
são coisas muito grande pra esquecer...”.
Antônio Poeta



Saudade
10
Dantesca saudade,
que me debela e invade,
que se entranha em mim.
Arrogante, sagaz e aguerrida,
quase finda a minha vida,
quase imputa o meu fim.
Por fim, eu não diviso,
por que tanta teima assim.

Saudade, por que és
tão rude, o que te fiz eu?
Por que me punes tanto?
Conte-me, me relembre!
E tu, terna felicidade,
por que não me acodes?
Não me estimas e me queres
como um pródigo filho teu?

É um grande amargor
a dor do rompimento
de um grande amor.
Porém, mais dolente,
é a dor da saudade,
que é um sentimento,
que faz doer, ainda mais
doente, a própria dor!
Antônio Poeta



O Verdadeiro Amor
11
Hoje, não consegui
sobrestar de chorar,
parecia inconscientemente
minha alma querer lavar.

O sombrio abandono,
me invade e me assola,
aí recrudesço, me revolto
e o pânico mais me desola.

Nestes dias de minha vida
melhor seria só dormir,
e assim, tentar não purgar
tanto sofrer, tanto pesar.

São nestes transes de amargor,
que mais me ressinto de alguém,
que de fato se importe comigo
e se porte bem e com ardor.

Enfim, de uma diva
que me ligue e diga:
calma, não se aflija
e não ceda à fadiga.

Aguarde-me, estou indo para aí,
vou te dar colo e meu calor,
te falar, te ouvir e te beijar...
Sou o seu verdadeiro amor!
Antônio Poeta



Não Brinco
Com Emoção!
12
Saiba amor,
não é a aparência,
o que se fala ou o
que se diz pensar.
São as atitudes
que revelam
e desnudam
o nosso ser...
A nossa essência.
Dizer te amo
é proferir amor.
È passar ao outro
a certeza mais plena
da nossa paixão.
Você disse tantas vezes,
só que de boca,
sem a devida e real
querência do coração.
Você nos mentiu
e produziu para nós
a impostura da ilusão.
Hoje, após
tudo findado,
vem você alegar,
que se equivocou.
Que em verdade,
sempre me amou.
Tarde, muito tarde
minha cara,
não sou do tipo, que
brinca com emoção!
Antônio Poeta



Abra O Seu
Coração!
13
Amor, com pureza
d’alma, reflita,
olhe para dentro de si,
conclua e me diga,
sem receio de me ferir:
O nosso sonho acabou
ou não acabou para ti?
Se sim, vou sofrer,
porquanto, tanto te amo,
contudo, sendo assim,
prefiro de coração o fim,
a continuar a te “possuir”
sem mais de fato te ter.
Por favor não se culpe,
não sofra por mim:
Fomos tão felizes!
Mas, se insistirmos,
sem mais ser bom
para os dois,
erigiremos
e amargaremos
tenazes rancores
e lesivas cicatrizes.
Ninguém nessa vida
está livre disso, podia
ter acontecido comigo,
mas eu te contaria
sem rodeios, para não
te produzir o padecer.
Poupe-me, apenas dos
detalhes, pois se a causa
for uma outra pessoa,
eu prefiro desconhecer!
Antônio Poeta



Inferno Conjugal
14
Brigamos, quase nos separamos,
e como sempre sem razão de ser.
Como impetramos nos amar tanto
e tanto também, nos fazer sofrer?

Laboramos as pazes e juramos nunca mais
empunharmos a intolerância; a intransigência,
porém, algo mais forte que nós... talvez do mal,
nos impulsiona a de novo atritarmos a coexistência.

Iniciado o conflito, agimos como curumins
orgulhosos e arrogantes guerreiros.
Nos ruímos, nos agredimos,
qual dois desordeiros!

Na trégua reconhecemos, que deveríamos
nos conduzir como co-autores fraternos
e obreiros arquitetos do nosso porvir,
mas a seguir, tudo se inicia a falir.

Por certo, em breve seremos punidos
e o espírito do amor, o anjo cupido,
logo irá se fadigar e nos expatriar,
aí, nós inumaremos o nosso amar!
Antônio Poeta



Amor De Boca
15
São tamanhas as manhas
e as situações enfadonhas
impostas por alguns vis,
movidos pela volúpia,
a fim de conquistarem
e logo abandonarem...
Produzindo o desamor
em detrimento ao amor.

São diversas as mazelas,
conflitando e desanimando
as perspectivas alheias.
E seguem os tais medíocres,
também alheios às seqüelas,
que advém de tal proceder.
Tripudiam sobre os outros,
como fossem imunes ao sofrer.

Essas gentalhas ignorantes,
que se acolchoam de imoralidade,
e vislumbram que seus amores são
brinquedos, e que quando os concluem
consumidos, ultrapassados e inoperantes,
logo, anseiam por os trocar, repudiando
a bio-substância-humana e os sentires
inatos, provedores da digna sensibilidade.

Alguns por brincarem assim,
com os brinquedos errados,
lhes infligindo o padecer,
inimputável e sumariamente,
insidiosa e egoisticamente,
descentrando a outrem,
chegam até mesmo a falecer
e por vezes... Assassinados.
Antônio Poeta



O Que Queres?
16
Como posso eu,
vir a te esquecer?
Tu não o permite,
parece não querer.
Pare de surgir
a todo instante,
não me telefone,
não pergunte
mais por mim.
Lembra-te?
Foi tu quem
quis o fim.
Não consigo
impedir que venhas
em meus sonhos
e pensamentos,
mas, te ver e sentir
tão presente, está
me enlouquecendo
e conturbando
os mais meigos
de meus íntimos
sentimentos.
Se for só um teste,
se só quiseres
de fato constatar
a falta que me faz...
Pode cessar e se regozijar:
Meus parabéns a ti,
pois eu estou muito triste
e padecendo por demais!
Antônio Poeta



Vai Com Deus!
18
Você me convenceu,
em suma, me venceu.
Avance no seu sonho,
que eu galgarei o meu.

Não suporto mais
tamanha aversão.
Minaste com tudo,
findaste a paixão.

Perdoe-me por ser tão intenso,
por tanto insistir em continuar,
enfim, em me portar e importar
em salvar um nada tão imenso.

Grato, por você se revelar,
mesmo que tão friamente.
Contudo, não se omitiste,
só deixaste de me amar!
Antônio Poeta



Previno-te!
19
Tantas foram às vezes que
disso falamos, que sobre isso
nos debruçamos, e essa peleja
nos empenhamos em solucionar.
E até agora nada, só fizemos filosofar. Querida vença os seus medos,
pois eles estão vencendo a minha coragem, ânimo e fervor.
Além do seu temor, você não consegue tempo,
além da ousadia, eu tenho todo
o tempo para nos ofertar.
Será que todo esse desencontro é porque só eu tenho amor?
Ou seremos como o dia e a noite, que só por diminutos
minutos, conseguem se entreolhar; se reencontrar?
Ou pior, será que somos como a água e o azeite,
que nunca se agregam, e por isso jamais,
consagrarão vir a se acrescentar?
Você tão bem me conhece, sabe como eu sou dependente
do seu calor, da sua pele, do seu corpo, do seu sexo,
e contudo, me relegas sempre a segundo plano.
Estou certo meu bem, que estás a cometer
um irremediável e danoso engano.
Com toda certeza, não haverá ninguém, que como eu,
tanto assim lhe deseje, que tanto venha a lhe amar.
Não lhe ameaço, apenas lhe previno minha vida,
eu não possuo ínfima tolerância ao abandono!
Antônio Poeta



Reencontro
20
Que alegria tornar a te ver,
notícias dar, notícias saber!
Porque sumiste e não me avisaste
onde eu poderia te encontrar?
Afinal, terminamos foi à relação
e jamais com a nossa emoção.
Tanta cumplicidade, amizade
e amor, momentos lindos
de ternura e emotividade,
coisas tão íntimas e de valor
não podiam findar assim.
Isto é, será que de fato
findou; nada mais restou?
É esse mesmo o nosso fim?
Antônio Poeta



Amar: Só Em Par
21
Você não atende mais às minhas ligações;
você não entende mais as minhas emoções.
Sua ausência e apatia estão doendo fundo
e aniquilando com esse meu cretino mundo.

Sei que a cerceei quase a sufoquei,
dei a você muito além de tudo,
o quanto me permiti receber.
Fui um néscio ao tentar tudo prover!

O amor é uma via de mão dupla,
e, consciente, assumo a total culpa
pela inabilidade ao me portar...
De nessa via não lhe permitir trafegar.

Fiz-lhe minha propriedade
e nutro o amargor e o pesar
desta insensível impropriedade,
deste meu arbítrio e quase insanidade.

Abrangi-te de tal forma, que sequer
permiti que cogitasses me recusar.
Impus-me a nós dois como se não fosses,
um espírito liberto e único de mulher!
Antônio Poeta



Campeonato
Do Amor
22
Como conseguimos nos amar tanto,
se também tanto, somos diferentes?
Até parece que essa nossa história
só eclodiu para nos auto-punirmos.
Será que fomos muito exigentes,
ou será que pecamos exatamente,
por prematuramente, já desistirmos?

O amor de verdade não admite
o titubeio e a desconfiança,
e por ser mais transcendente
não cede espaço ao pensar e agir,
muito dissonante e tão divergente.
Ele determina aos dois puramente,
que confluam harmoniosamente.

Ou será que tudo foi só paixão,
sentir menor, tola fascinação?
Sinceramente, eu não sei.
Lá bem em meu íntimo,
intuo e sinto que te amei,
tanto, quanto, nunca antes!
Será que outra vez me enganei?

Todavia, não mais cabem
choradeira ou reclamação.
É como se diz no futebol:
Agora é bola para frente
e seguir no campeonato,
revendo a técnica e tática,
e de novo tentar ser campeão.
Antônio Poeta



Porta Aberta
23
Por que não se extinguem os amores
sem traumas, dissídios e rancores?
Por que nos achamos donos e mais sábios
do que aqueles a quem amamos?
Por que acreditamos que é o outro
que sempre erra e que nós só acertamos?
Quase sempre é o nosso orgulho e egoísmo,
o nosso pequenismo, que joga tudo por terra.

É tão difícil encontrar alguém
que de verdade, venhamos a querer,
que nos leve a sonhar e a amar.
Como permitir que coisas pequenas,
hábitos e vícios de comportamento,
intolerância, intransigência e vaidade,
imputem a amabilidade do amor a ceder,
e transforme a dádiva em dívida e tormento?

Mas se for impossível continuar,
que se termine a relação, sim;
entretanto, o façamos sem ódio,
sem ingratidão ou agressão,
deixando uma porta aberta
que possa vir a sugerir,
que o que houve foi um aparte
e não necessariamente o fim.

E nesse tempo, urge se aplacar
o impulso de ao outro controlar,
pois, se não houver prudência
no pensar e no sentir,
no proceder e no agir,
ao contrário, aquela porta,
que lá antes ficou aberta,
poderá para sempre se selar.
Antônio Poeta



Sem Culpas
24
É por demais triste
quando o par se ama
e não se entende.
Quando os objetivos
não se confluem.
Quando os espíritos
não se harmonizam
por mais que se tente.

Assim, nos magoamos
mais que nos ninamos.
Nos ferimos mais
do que nos curamos.
E ficamos perplexos
por tanto dissídio,
pois também tanto,
de fato nos amamos.

Por que não podemos
apenas sermos felizes,
se o principal nós temos,
melhor, nós queremos?
Será que nos falta aptidão?
Será que é infantilidade?
Pior, será que somos adeptos
e apologistas da infelicidade?

Juro a você que eu não sei.
Mas sei que muito te quero
e que por demais sou sincero
quanto a esse meu bem-querer.
Sei ainda que não sou culpado,
e bem aquém, não culpo você.
Sei... Que estou sofrendo muito,
só não sei... O que pensa você!
Antônio Poeta



Múmia
25
Descapsule-se e se abra,
não se faças tão macabra.
Assim não é possível continuar.
O que a entedia, o que a fere?
Minha intenção é somar!
Esqueceste, que foi a ti
que escolhi para amar?

É algo que estou fazendo,
é você que não está mais
me amando, me querendo?
Esse teu silêncio e inércia
só tende a tudo agravar.
Xingue, grite, mas entenda:
É mister você se posicionar.

Estou em desesperança vendo tudo ruir,
percebo-me inocente, mas já sem ânimo
de lutar, de investir e até de prosseguir...
Basta! Agora sou eu quem não quero
mais te ouvir. Estou de partida.
Fica aí ruminando a tua zanga,
múmia estúpida e ensandecida!
Antônio Poeta



E Agora?
26
E agora... Qual o sentido,
qual a graça, como passar
em frente daquele barzinho,
como voltar naquela praça,
deixado... Sem você comigo?

E agora... Como ficam
os nossos planos e sonhos,
o que juntos cogitamos:
Nossa casinha, os filhos,
a família: A nossa vidinha?

E agora... como viver
sem o seu bem querer,
sem a sua volúpia louca,
sem o gosto da sua boca,
enfim, sem mais lhe ter...?
Antônio Poeta



Ausência
27
Nunca mais
o telefone tocou.
Melhor, nunca mais
foi você ao telefone
dizendo: Alô...
Sou eu, meu amor!

Não imaginei
sofrer tanto assim
com a nossa separação.
Parece que ao partires,
carregaste de mim
até a minha inspiração.

Não consigo mais
escrever uma linha,
compor um único verso.
Sinto-me, ao inverso;
na contramão
do Universo.

Vejo-me triste, abatido,
absolutamente sem graça.
Sinto-lhe, a cada dia que passa,
mais distante e perdida,
e eu, mais vacilante e com
a alma além de contundida.
.
Mesmo com este silêncio
e a sofrida incerteza
de que irás retornar,
intuo, confio, quero acreditar,
que logo cederás e como dantes,
voltarás a me amar.
Antônio Poeta



O Retorno
28
Apresentado a ela por uma amiga
compartilhada, me desconcertei;
me atrapalhei... E ela também.
Nossa amiga compreendendo
todo o nosso desconforto
e tamanha exaltação,
moleca... Balbuciou:
Ual! Que gracinha!
Pintou cupido,
pintou paixão,
quem sabe,
até amor.
Atônitos nos despedimos, todavia,
trocamos os nossos cartões
ato puramente simbólico
pois que, em verdade,
o que trocamos ali
foram nossos
corações.
Chegando a minha repartição,
telefonei à minha namorada,
e frio e egoísta, a informei:
“Querida, tudo se acabou”.
À noite, liguei para
o meu novo amor e
saímos para jantar.
Nessa mesma noite
eu iniciei a perceber,
qual era o significado
verdadeiro de se amar.
Um ano completo de abundoso amor,
e até já pensando em com ela me casar,
toca o telefone e ao o atender, constato ser
a minha amada, que fria e egoísta, como um dia
eu fui, apenas me diz: “Querido, tudo se acabou”.
Antônio Poeta



Amor É Parceria
29
Dediquei-me tanto a você,
investi tanta emoção em nós.
Agora, que tudo parece se perder,
só, também, terei que desatar os nós?

Estou muito exaurido, desanimado.
Se você ainda me quer é a sua vez:
Alvitre, me mostre que sou amado,
pois amar em singular é insensatez.

Amar é volver o eu em nós
e trafegar de mãos dadas,
sempre juntos, nunca sós,
na mesma mão da estrada.

Amparando e sendo amparado,
se divorciando da pequenez,
se portando determinado
em derruir a invalidez.
Antônio Poeta



Como... ?
30
Como não ser passional,
quando se finda uma relação
a qual você doou grandeza d'alma,
renúncia, proteção, afeto e emoção?
Como não ser passional;
como não ficar mal,
quando se percebe
tudo desmoronar?
Será que era só um
cascalho de areia,
desmantelado pelo
mau humor do mar?
Como pode alguém dizer ao outro
"te amo", sem de verdade o amar?
Como pode alguém com os sonhos
do seu parceiro, destarte, tripudiar?
Como compreender a hipocrisia
e lhe perdoar, como entender os
seus motivos, sem se quebrantar...
Sem vingativamente vir a vibrar?
Como seria simplório apenas não
iludir, tão bem mais meritório
e veraz, se posicionar e assumir,
que não se importa com o outro,
entretanto, sem a sua alma ferir.
Como... ???
Antônio Poeta



Pedaço De Mim
31
Quando te conheci,
confesso, estarreci.
Senti ali,
o que nunca
tinha sentido,
até aí.

Foi uma apresentação,
rápida, corrida,
mas com encanto.
Dei-lhe dois beijos no rosto,
lhe falei dois gracejos...
Eu fiquei e você seguiu.

Seguiu, mas já levando
parte da minha vida.
Agora que eu te perdi, preciso
desse pedaço de volta, mesmo
mutilado, não posso parar,
pois é mister, eu avançar.

S'imbora homem,
não vai ser agora
que você vai desistir:
Não, óbvio que não,
não vou permitir
minha emoção falir!

Mesmo faltando
esse pedaço, que está
adensado em ti,
eu vou continuar rumando,
enflorando meus sonhos
e neles, para sempre insistir.
Antônio Poeta



Plagiando
O Abandono
32
“Se quiserem saber, se volto diga que sim, mas
só depois que a saudade, se afastar de mim”.
Ela se foi, me deixou e como todo
romântico que se preza, estou com
o meu eu saturado pelo vil passional.
Vou dar um tempo até essa ferida cessar
de sangrar e, mesmo antes de ela cicatrizar,
meu coração vagabundo de poeta voltará a vagar
e a caçar uma nova musa para alocar no lugar daquela,
que incoerentemente, não soube ou não quis me aproveitar.
Só a morte irá me parar: Enquanto vivo, eu quero mais é me avivar!
Antônio Poeta



Melhor mesmo
É Acabar!
33
Como lhe quero!
Quero-lhe mais
que qualquer coisa,
que até hoje quis ter.
Mas você minha querida,
parece não saber ainda,
de verdade o que querer.
Sendo assim, tenho eu
que querer mais a mim.
Não seria justo comigo
me apartar da perspectiva
de vir a aspirar a felicidade,
me mantendo adensado a você
em meio a tanta animosidade.
Isso seria o mesmo
que optar por não viver.
Até quando irão perdurar
os nossos embates...
O terminar e o voltar?
Parecemos o Sol e a Lua,
um chegando, o outro saindo,
mal conseguimos nos avistar.
E nós, sequer como eles,
temos o mar como cúmplice,
refletindo a imagem de um para
o outro, a fim de lhes conciliar.
Essa já é a terceira vez que
teimosamente nós tentamos
e igualmente nos frustramos.
O que de fato sentimos,
porque não nos ajustamos?
Talvez, seja mais perfeito
a essa nossa situação,
gorarmos o sonho do amor
e gozarmos ênfase e vazão
somente ao nosso tesão,
a toda essa lascívidade,
que explode e nos invade,
sempre que nos tocamos.
Quando fazemos planos,
por fim, projetamos
uma vida em comum,
em seguida brigamos
e logo nos apartamos,
voltando a sermos “um”.
Parece que algo conspira
e nos inspira a seguirmos sós.
Será que estamos condenados,
fadados a sermos só amantes,
insensatos namorados errantes,
compromissados bem maiormente,
somente com a carne e o prazer?
Quem sabe devamos esquecer
nossas almas e exclusivamente,
só aos nossos corpos atender?
Diga algo amor, preciso saber
o que e como pensa você?
... Pare, mais bem parar.
Não emita sua opinião,
pois essa minha proposta
é por demais indecorosa
e sem nenhuma emoção.
É só um grito do meu corpo
crápula, cobiçando o vadiar.
Não, não... Em definitivo não,
melhor mesmo, é acabar!
Antônio Poeta